sábado, 19 de junho de 2010
Fim
Esse fim que tão desejado foi.
E fica o quê?
Muita coisa.
E ficam quantos?
Poucos.
Provavelmente os suficientes.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Cônscio
Frusta-me ser arrastado por esta pseudo-opção. Nesta corrente infinita de mesquinhês humana. Mata-me a experiencia quotidiana da dor, da injustiça, da estupidez, do erro.
Doem-me os limites. Todos na busca desmedida de algo, sedentos de argumentos que lhes objectivem a vida, mas tão pequenos nas suas escolhas. Vendidos ao fácil e fútil prazer comum – prazer social. Comem-se, consomem-se, usam-se. Tudo em nome de um bem maior, integrar o rebanho. A alma vendida ao que os outros são - o não ser.
Ignorantes e cegos de si de tantas máscaras usarem, de tantas vezes profanarem o seu íntimo, de se entregarem ao aglomerado de vontades, disforme, ignóbil, defenhento, que tudo rege e tudo move.
Ninguém é ímpar.
Ninguém é só.
Ninguém é um.
Queimei as máscaras. Estou de lado, não vos posso poupar dos desejos, da vontade, dos propósitos, sofrimento, fuga da dor ou busca do prazer. Só é intenso.
Não deixes que profanem a tua intimidade. Comete os teus excessos espirituais, no calor dos afectos, nos gritos de excitação, na amizade, na orgia sensorial, a exultação. A reconsagração de tudo em que acredito. Habitua-te a ser diferente. Ser difuso. Entre o bem e o mal não há distância, apenas um passo infinitésimal, porém, infinitamente importante. Não existe um critério tradicional para dividir as boas das más acções. Belo não é igual a bom e feio não é igual a mau. É da miséria da carne e do sangue, da violência, da puta da ganância que nasce o mal. Sou um alienado. O feio torna-se belo. O blasfemo divino. O demoníaco sublime. Já não há de um lado o paraíso puro, nobre, esplendoroso, e do outro o inferno, negro, turvo, infecto e doloroso, mas só a exaltação da vida, que tende para o alto. É a imundice, o sexo, a promiscuidade, a obscenidade, o grito, mas também a doçura, a carícia, a esperança, gargalhadas que se tornam sorrisos. Sensualidade sublime. No fundo não há um Deus por quem chamar. Vou ser eu. Sou assim, um filho de um Deus desconhecido. Permaneço…
Silencioso.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Natal
E a chocolate começa a cheirar.
A árvore e o presépio vamos montar
Mas só se de católico te quiseres mascarar.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
As vicissitudes do Deus I
talvez por cepticismo pessoal dos fiéis
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
As vicissitudes do Deus
E que queria ele dizer com tal afirmação? Como pode ele fazer cada um de nós feliz, se cada um de nós tem uma felicidade diferente? Ou quis ele dizer que a felicidade seria uma espécie de éter comum onde todos sorriríamos? Ou então a felicidade realmente é repartida e particular mas no fundo, igual para todos? Talvez não sejamos tão diferentes uns dos outros. Talvez todos precisemos do mesmo…
Uns tempos bem longos sem nos vermos. Uns tempos de repouso do aparelho gastrointestinal que parece dar voltas a cada abertura de boca com seguida verborreia.
Antes Deus tivesse essa feliz ideia.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
O cair das Máscaras
Tecemos algumas considerações acerca de um caricato episódio passado numa instituição pública de ensino superior, em Portugal. Decidimos debruçar-nos sobre o assunto porque, se não o tivéssemos presenciado, nunca acreditaríamos no seu desfecho. Iremos descrever alguns pormenores acerca do carácter dos intervenientes para que os leitores possam entender as implicações do sucedido.
Na referida escola superior, existe uma ditadura matriarcal em que o reinado é dividido e partilhado por diversas mulheres. Dizemos ditadura porque, como refere Wikipedia (2008, pág. 1) “Ditadura é o regime político em que o governante (ou grupo governante) não responde à lei, e/ou não tem legitimidade conferida pela escolha popular”. Ora, o grupo governante já sabemos qual é. O reles plebeu (leia-se aluno do curso) cinge-se ao cumprimento das severas ordens ditadas pelo grupo governante sob pena de ser alvo de conversa entre os membros do mesmo, no local do seu reino (físico): o corredor da morte (1º piso). Quando tal sucede o plebeu em causa desaparece que nem D. Sebastião, neste caso em terras lusas, não deixando qualquer rasto nem pista de possível sobrevivência.
Num dos infinitos dias de ditadura, um grupo de míseros plebeus decide organizar uma farra e escapar da masmorra durante uma noite. Contrariando as ordens em vigor no reino (que ninguém sabe bem quais são visto que mudam constantemente, adequando-se aos belos prazeres da mulheres reinantes), decidem espalhar a boa nova da escapadela, anunciando em todos os postes e paredes nuas da instituição o local e hora da festança, com uma imagem alusiva ao curso em questão.
Mal sabiam os plebeus que, naquele preciso dia uma das reinantes tinha notado, na terceira unha do 1º dedo do seu pé esquerdo (sim porque todos os ditadores têm três unhas em cada dedo), uma ligeira despigmentação que poderia indicar o inicio da proliferação de microrganismos, “aqueles bichinhos que só se vêem à lupa” (Reinante nº 15, 2008), que poderiam vir a provocar uma ligeira onicomicose. Ora, recolhida nas suas preocupações, a reinante em questão, desce do corredor da morte (1º piso) para junto da ralé, para ordenar mais um dos seus decretos e depara-se com a dita imagem anunciando a escapadela dos plebeus na noite seguinte.
Como se poderá imaginar, toda a estrutura física da dita instituição estremeceu com os gritos ensurdecedores da mulher que, escandalizada com a imagem, ordenou que fossem queimados todos os exemplares do anúncio referido. Assim, os capatazes das reinantes atearam fogo no relvado e juntaram, em questão de segundos, todos os papéis espalhados pela escola queimando-os para que todos testemunhassem a ira das ditadoras. Os responsáveis pela organização da festança foram chamados ao corredor da morte (1º piso), onde nunca ninguém tinha ousado subir. Toda a ralé sabia que não haveria volta. Os pobres coitados nunca desceriam a escadaria.
A caminho do corredor da morte (1º piso) os plebeus oravam aos seus Criadores pedindo misericórdia. À medida que se iam aproximando dos tronos, observavam nas paredes diversas “pessoas” penduradas que nem casacas de inverno no cabide, semelhantes às reinantes. Subitamente tropeçam. Olham para o chão e observam diversos animais pequenos, sensivelmente do tamanho de uma osga, rastejantes, verdes, emanando um odor fétido, debatendo-se por chegar até aos corpos pendurados. Os plebeus ficaram estupefactos.
Subitamente um dos animais toca num dos corpos e transmuta-se, incorporando-o, e os outros animais seguem-no. Diante dos seus reles olhos as reinantes vão aparecendo.
Sabemos, em jeito de conclusão deste episódio, que os plebeus desceram a escadaria para se juntarem à ralé. Todos ficaram a saber quem eram verdadeiramente as ditadoras.
A partir desse dia a vida passou a ser democrática, nem que fosse apenas no íntimo intelecto de cada um.
Nús
Abertura
Termo de que o senso comum se serve para justificar a lucidez dos loucos.
Eles, os desprovidos de loucura, vivem mergulhados numa dormencia crónica à qual se remetem confortavelmente e que os leva a ouvir sem estremecer, fechar os olhos sem sonhar, tocar sem sentir...
Soldadinhos, que pela rotina de uma existência subjugada à comodidade deixam de reconhecer o seu igual só porque traz um cravo na boca!
Nús