domingo, 18 de janeiro de 2009

Cônscio

Ter a alma como impulso vital, o sonho, como tendência para o alto, como transcendência. A fuga, o salto para o novo, o mais alto, o sublime. Superação.
Frusta-me ser arrastado por esta pseudo-opção. Nesta corrente infinita de mesquinhês humana. Mata-me a experiencia quotidiana da dor, da injustiça, da estupidez, do erro.
Doem-me os limites. Todos na busca desmedida de algo, sedentos de argumentos que lhes objectivem a vida, mas tão pequenos nas suas escolhas. Vendidos ao fácil e fútil prazer comum – prazer social. Comem-se, consomem-se, usam-se. Tudo em nome de um bem maior, integrar o rebanho. A alma vendida ao que os outros são - o não ser.
Ignorantes e cegos de si de tantas máscaras usarem, de tantas vezes profanarem o seu íntimo, de se entregarem ao aglomerado de vontades, disforme, ignóbil, defenhento, que tudo rege e tudo move.
Ninguém é ímpar.
Ninguém é só.
Ninguém é um.
Queimei as máscaras. Estou de lado, não vos posso poupar dos desejos, da vontade, dos propósitos, sofrimento, fuga da dor ou busca do prazer. Só é intenso.
Não deixes que profanem a tua intimidade. Comete os teus excessos espirituais, no calor dos afectos, nos gritos de excitação, na amizade, na orgia sensorial, a exultação. A reconsagração de tudo em que acredito. Habitua-te a ser diferente. Ser difuso. Entre o bem e o mal não há distância, apenas um passo infinitésimal, porém, infinitamente importante. Não existe um critério tradicional para dividir as boas das más acções. Belo não é igual a bom e feio não é igual a mau. É da miséria da carne e do sangue, da violência, da puta da ganância que nasce o mal. Sou um alienado. O feio torna-se belo. O blasfemo divino. O demoníaco sublime. Já não há de um lado o paraíso puro, nobre, esplendoroso, e do outro o inferno, negro, turvo, infecto e doloroso, mas só a exaltação da vida, que tende para o alto. É a imundice, o sexo, a promiscuidade, a obscenidade, o grito, mas também a doçura, a carícia, a esperança, gargalhadas que se tornam sorrisos. Sensualidade sublime. No fundo não há um Deus por quem chamar. Vou ser eu. Sou assim, um filho de um Deus desconhecido. Permaneço…
Silencioso.

2 comentários:

bait! disse...

*clap*clap*clap*

Anónimo disse...

E quem serás tu mascarinha..?